Todos os dias novos livros são publicados. Muitos deles são livros banais, com histórias já vistas e revistas. Neste livro “A Criança que não queria falar” podemos encontrar uma história verídica que de banal não tem muito.
Escrito por Torey Hayden, uma brilhante professora, este livro conta a história de uma menina que foi abandonada pela própria mãe adolescente, que levou consigo o filho mais novo. Ficou apenas na guarda do pai, que passou os primeiros anos da vida dela na cadeia, culpado de assalto e agressão. Depois de ser liberto passou longos períodos no hospital estatal por alcoolismo e toxicodependência. Enquanto isto, Sheila com apenas quatro anos de idade foi levada para um centro de protecção à criança, onde lhe detectaram graves cicatrizes e fracturas provocadas pelos maus-tratos sofridos. Mas acabaram por voltar a confiá-la ao pai. Passou então a viver numa barraca de uma divisão num acampamento de imigrantes. A casa não tinha aquecimento, nem água… nem sequer electricidade! Uma criança com este passado e com este presente não poderia viver com absoluta sanidade mental ou física: ela era pequena e frágil, devido a uma subnutrição e tinha graves problemas mentais. Sheila, com apenas seis anos, raptou um menino de três anos (do acampamento), levou-o para um bosque, amarrou-o a uma árvore e pegou-lhe fogo.
A partir daqui começa o desenrolar da história. Sheila é proposta a um hospital psiquiátrico, mas não há vagas. A única solução que parece aceitável é uma escola especializada, solução esta que foi aceite. De início pareceu complicado, pois a professora para onde foi enviada, Torey, já tinha o número máximo de alunos na sua turma. Mas, como o caso era urgente, a professora teve de ficar com nove crianças. Sheila não se adaptava e assustou ainda mais as outras crianças. Imensos episódios trágicos aconteceram e fizeram Torey aperceber-se de que tinha algo muito grave em mãos, que teria de dedicar todas as suas forças para ajudar esta criança. Foi então que laços muito fortes entre as duas começaram a existir e a crescer. Sheila, todos os dias se dirigia para a escola feliz por ir e vinha embora feliz por lá ter estado, começava a aprender o significado da palavra tão usada hoje em dia: felicidade.
Este livro mostra-nos o quanto a vida pode ser cruel e o quanto nós podemos lutar contra a crueldade, lutar contra a fúria, contra o rancor, contra as nossas maiores fraquezas… e como os laços são importantes, como cativar alguém muda a nossa vida.
«Todos os outros vieram
Tentaram fazer-me rir
Brincaram comigo
Algumas vezes para rir e outras a sério
E depois partiram
Abandonando-me nas ruínas das brincadeiras
E eu não sabia quais eram a sério.
Quais eram para rir e
Vi-me sozinha com os ecos de risos
Que não eram os meus.
E depois chegaste
Com os teus modos estranhos
Nem sempre humanos
E fizeste-me chorar
E não pareceste importar-te que chorasse.
Disseste que as brincadeiras tinham acabado
E esperaste
Até que as minhas lágrimas se transformassem
Em alegria.»
(A minha "macaquinha" ofereceu este livro à Celeste,a sua auxiliar de sala e para ela desejamos uma boa leitura...)

