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terça-feira, 14 de abril de 2009

"A Criança que não queria falar"

Todos os dias novos livros são publicados. Muitos deles são livros banais, com histórias já vistas e revistas. Neste livro “A Criança que não queria falar” podemos encontrar uma história verídica que de banal não tem muito.


Escrito por Torey Hayden, uma brilhante professora, este livro conta a história de uma menina que foi abandonada pela própria mãe adolescente, que levou consigo o filho mais novo. Ficou apenas na guarda do pai, que passou os primeiros anos da vida dela na cadeia, culpado de assalto e agressão. Depois de ser liberto passou longos períodos no hospital estatal por alcoolismo e toxicodependência. Enquanto isto, Sheila com apenas quatro anos de idade foi levada para um centro de protecção à criança, onde lhe detectaram graves cicatrizes e fracturas provocadas pelos maus-tratos sofridos. Mas acabaram por voltar a confiá-la ao pai. Passou então a viver numa barraca de uma divisão num acampamento de imigrantes. A casa não tinha aquecimento, nem água… nem sequer electricidade! Uma criança com este passado e com este presente não poderia viver com absoluta sanidade mental ou física: ela era pequena e frágil, devido a uma subnutrição e tinha graves problemas mentais. Sheila, com apenas seis anos, raptou um menino de três anos (do acampamento), levou-o para um bosque, amarrou-o a uma árvore e pegou-lhe fogo.


A partir daqui começa o desenrolar da história. Sheila é proposta a um hospital psiquiátrico, mas não há vagas. A única solução que parece aceitável é uma escola especializada, solução esta que foi aceite. De início pareceu complicado, pois a professora para onde foi enviada, Torey, já tinha o número máximo de alunos na sua turma. Mas, como o caso era urgente, a professora teve de ficar com nove crianças. Sheila não se adaptava e assustou ainda mais as outras crianças. Imensos episódios trágicos aconteceram e fizeram Torey aperceber-se de que tinha algo muito grave em mãos, que teria de dedicar todas as suas forças para ajudar esta criança. Foi então que laços muito fortes entre as duas começaram a existir e a crescer. Sheila, todos os dias se dirigia para a escola feliz por ir e vinha embora feliz por lá ter estado, começava a aprender o significado da palavra tão usada hoje em dia: felicidade.


Este livro mostra-nos o quanto a vida pode ser cruel e o quanto nós podemos lutar contra a crueldade, lutar contra a fúria, contra o rancor, contra as nossas maiores fraquezas… e como os laços são importantes, como cativar alguém muda a nossa vida.


«Todos os outros vieram

Tentaram fazer-me rir

Brincaram comigo

Algumas vezes para rir e outras a sério

E depois partiram

Abandonando-me nas ruínas das brincadeiras

E eu não sabia quais eram a sério.

Quais eram para rir e

Vi-me sozinha com os ecos de risos

Que não eram os meus.


E depois chegaste

Com os teus modos estranhos

Nem sempre humanos

E fizeste-me chorar

E não pareceste importar-te que chorasse.

Disseste que as brincadeiras tinham acabado

E esperaste

Até que as minhas lágrimas se transformassem

Em alegria


(A minha "macaquinha" ofereceu este livro à Celeste,a sua auxiliar de sala e para ela desejamos uma boa leitura...)



segunda-feira, 13 de abril de 2009

"Qualquer coisa de bom"

O próximo livro que vou apresentar é “Qualquer coisa de bom" é um romance de Sveva Casati Modignani e relata a história de uma jovem que recebe uma herança inesperada e misteriosa.


Biografia:

Sveva Casati Modignani não existe na realidade. É apenas um pseudónimo adoptado por um casal italiano, Bice Cairati e Nullo Cantaroni, que para além de partilharem uma união pessoal, também se juntaram profissionalmente. Quando é necessário fazer aparições públicas, é a mulher do casal que se apresenta como Sveva, sendo mesmo ela que autografa os livros. Esta dupla já escreveu vários livros e tornaram "Sveva" numa das maiores escritoras italianas e que mais sucesso alcança no estrangeiro.


Assunto:

Esta é a história de Ludovica Magnasco, uma jovem de 29 anos, atraente e porteira de um prédio onde todos lhe chamam Lula. Ludovica sempre teve uma vida um pouco atribulada, até chegar a este prédio. É aqui que conhece Alexandra Pluda Cavalii, uma mulher na casa dos 50 que ao morrer lhe deixa uma herança milionária sem que a jovem perceba porquê. Ao longo da história sabe-se que a mãe de Lula era irmã de Alexandra, fruto de um caso entre o pai de ambas e a professora primária de Alexandra. Quando esta descobre o seu parentesco com Lula, decide deixar-lhe todo esse dinheiro.
Nesta narrativa também há lugar para o romance. Lula apaixona-se por Guido Montini e os dois casam-se no final da história.


Opinião:

Este livro é daqueles que uma pessoa lê num instante, não só devido ao seu tamanho, como também graças à história. É muito ligeira e de linguagem corrente.
Apesar de ter gostado do livro, não o considero nada de especial;

No entanto aconselho o livro, pois acaba por ser uma leitura agradável e que nos distrai um pouco.


Tenho cá em casa o "Baunilha e Chocolate", “6 de Abril´96” e “A Cor da Paixão” da mesma autora para ler mas ainda não consegui...

"Vai aonde te leva o coração"

Retirado do livro Vai aonde te leva o coração” de Susanna Tamaro.


"...não somos seres suspensos em bolas de sabão, que vagueiam felizes pelos ares; nas nossas vidas há um antes e um depois, e esse antes e esse depois são uma ratoeira para os nossos destinos, pousam-se sobre nós como uma rede se pousa sobre a presa. (...)”


“...quando o caminho atrás de ti é mais comprido do que o que tens à tua frente, vês uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. Alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena. Podias fazer uma coisa e não fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente. (...)”


“A coisa mais fácil do mundo é encontrar escapatórias quando não queremos olhar para dentro de nós mesmos. Uma culpa exterior é coisa que existe sempre, tem de se ter muita coragem para aceitar a culpa - ou melhor, a responsabilidade só nos cabe a nós. No entanto, como já te disse, é essa a única forma de seguir em frente. Se a vida é um percurso, é um percurso sempre a subir.”


“E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te e vai para onde ele te levar."


“A compreensão nasce da humildade, não do orgulho de saber.”


Neste livro de descoberta ou redescoberta, acompanhamos a vida de três mulheres de gerações diferentes (uma avó, a sua filha e a sua neta) e ficamos também a conhecer as diferenças existentes entre cada geração. A autora escreveu esta obra sob a forma de um diário íntimo que fala de sentimentos sem o menor sentimentalismo. O diário é escrito por uma mulher de oitenta anos, uma avó como tantas outras, que faz tricô, planta roseiras e vive com o seu velho cão. Esta é a forma que ela encontra para contar a sua vida à neta e dizer-lhe o quanto gosta dela já que, devido à educação que recebeu, é incapaz de fazê-lo de outro modo.


Por vezes, o coração também se engana e fazemos escolhas erradas. Quando isso acontece, resta-nos tirar lições dos nossos erros e (re) começar de novo.